Quando teremos um mercado de games no Brasil? 19/04/06
No artigo “Games são a Oitava Forma de Arte” que saiu no excelente MeioBit o autor fala sobre a imaturidade do Brasil em relação a um mercado de games e como ainda não exploramos essa indústria como ela pode ser explorada. O texto me incentivou a escrever algumas palavras sobre o tema e levantar a questão: Quando teremos um mercado de games no Brasil? Aqui não pretendo responder a questão, mas expressar algumas opiniões como alguém que joga há 15 anos e estuda desenvolvimento de jogos há poucos meses.
O Brasil ainda não esta pronto para ter uma indústria de games porque eles ainda não fazem parte da nossa cultura. Muitos ainda os enxergam como passatempo para crianças. Qualquer pesquisa mostra que a maior parte dos jogadores no mundo todo é maior de 25 anos, por aqui eu tenho 23 e sei que sou visto como estranho por comprar jogos com tanta frequência. No Japão é comum ver comerciais de videogames na TV, aqui já existiram alguns mas vai demorar muito tempo pra isso acontecer novamente. Essa falta de cultura de videogame aliada com a pirataria assombrosa é que prejudica o desenvolvimento da indústria produtora de games por aqui. Quase não se tem incentivo para produzir, os poucos que arriscam fazem jogos voltados para o mercado externo. Poucos arriscam e quase nenhum sobrevive muito tempo.
Alguns pequenos passos estão sendo feitos para mudar isso e por incrível um deles pelo nosso Ministério da Cultura. O Ministério fez o concurso JogosBR, que tem como objetivo incentivar a criação de jogos no país. JogosBR na verdade não é apenas um, são 3 concursos: Concurso de Demos Jogáveis, Concurso de Jogos Completos de Baixo Orçamento e Concurso de Idéias Originais. A parte interessante dos concursos é que os jogos devem ter aspectos da nossa cultura.
Outro passo importante foi o surgimento de diversas graduações e pós-graduações voltadas para o desenvolvimento de jogos. Já temos muitos jovens que desejam desenvolver games e estão estudando de maneira séria o assunto. As graduações na área ajudam a amadurecer o perfil do desenvolvedor. Frequento algumas comunidades brasileiras sobre desenvolvimento de jogos e ainda parece que a grande parte dos usuários é formada por adolescentes ainda sem idéia sobre a realidade do reduzido mercado nacional. Alguns ainda acham que vão fazer o Quake 10 e andar de Ferrari ao lado do John Carmack.
Um incentivo discreto do governo, algumas graduações na área e depois o que falta? Dinheiro. Dinheiro para produzir e para consumir. O investimento para produção de um jogo é alto, em consequência o preço final também é alto. A maioria dos jogos brasileiros explora duas áreas que consomem menos recursos e vendem mais barato: jogos para celular e jogos publicitários. Precisamos também combater a pirataria, já é difícil alguém investir para desenvolver e mais difícil ainda é ver o investimento sendo vendido na esquina de casa por R$10. Os consumidores de jogos também precisam mudar. Sim os jogadores! Poucos se interessam em jogar os poucos jogos nacionais. Acho que alguns ainda têm certo preconceito sobre jogos brasileiros. Parecem duvidar da qualidade ou até mesmo não se interessam se o jogo for baseado na cultura nacional.
Ainda temos um longo caminho a seguir se quisermos criar um mercado interno de games. Os primeiros passos já foram dados, o que resta é seguir em frente e se tudo der certo em alguns poucos anos vamos poder ver jogos nacionais nas prateleiras das lojas.